domingo, 9 de agosto de 2009

com o tempo venho aprendendo a ser mais egoista, e isso não enxergo como algo ruim. hoje me vejo como importante, como se no fim eu estivesse dividido em dois, e sempre me preocupo - e hoje em dia cada vez mais - com o meu eu constante, aquele que está comigo sempre, aquele que está em formação, aquele que forma o alex. com isso consigo enxergar tão nítido o significado da palavra equilíbrio.
hoje, dormindo fora de casa, percebi o quanto sou tão chato. o quanto tenho tantos resquícios da minha educação, da minha formação tão caseira, na qual minha mãe sempre queria que eu ficasse em casa e acreditava que dessa forma estaria protegendo-me do mundo. engano dela! isso me deu sede e fome, e o resultado é esse: eu morando fora de casa aos 21 anos. e isso tudo não foi mero acaso, mas consequência das minhas atitudes e desejos. esta criação que eu tive me deixa com a sensação de culpa, de 'estou-fazendo-coisas-erradas-e-não-estou-produzindo', como se não fosse nunca merecível momentos e dias inteiros de lazer e diversão. sou escravo do pensamento e dos julgamentos. mas não julgamentos alheios e relacionados com os outros, mas um julgamento direcionado diretamente ao meu ser, e daí vejo o meu outro eu, em forma concreta e agressiva.
ufa, que alívio! ultimamente estava tão seco de mim, tão sem palavras. pensei que nunca mais poderia ver palavras brotando os meus pensamentos, e organizando eles de forma tão una, que sou capaz de enxergar-me num espelho, ao ler o que escrevo momentos depois da escrita.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Voltando de ônibus pra casa hoje, a chuva desceu do céu, aquelas chuvas que chegam devagar e logo deixam todo o asfalto molhado. percebo, de dentro do ônibus, pessoas correndo, agitadas, procurando abrigo, em meio aos pequenos espaços que encontram pela rua para protegerem-se.
Em toda aquela cena, me vi como aquelas pessoas. Percebi como ando correndo, tentando encontrar lugar para me esconder da vida. Perdi o gosto de me jogar de abismos. Ando morno, nunca frio, nem quente. Ando morto.
Dentro do ônibus, protegido da chuva, e sendo levado, somente, sem precisar me mover, enxerguei outro alex, no mesmo. ilusão minha, acreditar que éramos diferentes. Numa situação eu corro, mas deixo de desfrutar a sensação da chuva. Noutra, estou protegido e cômodo, e deixo me levar, sem precisar nem pensar qual será o destino. Em todas, estou morto.
Tenho que reencontrar o que me fazia vivo sempre. Porque nunca fui de morte. o alex de antes não era assim, e hoje já não sei mais quem sou. mesmo!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

pra você que quer saber quem eu sou: eu sou aquele menino do interior que ia todos os fins de tarde comprar o pão quentinho na padaria e que saía recolhendo folhas das árvores e distribuindo-as - de casa até a padaria, da padaria até em casa - e acreditando que os bons pensamentos e palavras que eu dedicava a cada uma das folhas que eram soltas poderiam ser transmitidos as pessoas que passassem por cima delas, simplesmente. esse sou eu, que venho tentando manter vivo - até hoje.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

algo que seja construtivo
porque construção é dizer
que as coisas são feitas
de você.
na mancha branca
que povoa a noite
a disciplina pode ser muitas
das vezes liberdade,
noutras, prisão.
de grades tênues como fios
de linha 10.
daqui a pouco eu volto,
montado no grilo de saltos infinitos,
que saltam de cabeça para o tempo.
é tempo de atemporar!
o deserto há de brotar
essa tão desejosa liberdade.
o m(eu) animal comeu.



Alex Oliveira e Helder Matos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

um dia eu morri.
e morrer é afundar.
não na definição exata desta afirmação.
afundar afundar afundar...
hoje: eu vôo afundando!
afunvoando.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

semântica,

semiótica,

hermenêutica,

fenomenologia,

blá, blá, blá...

fenomenolótica,

hermenântica,

seminêutica,

semânologia,

desconstrução dos signos.

extrapor!

tudoéumafarsa.

Quando a idéia principal é SENTIR.

terça-feira, 2 de junho de 2009

foi ela,
ela mesmo.
Ela veio dessa forma:
devaneia,
sem gentilezas,
nua,
com a pureza da alma.
Ela é transgressora,
e fiel com as idéias.
É tão cômico percebe-me assim:
pasmo!
Hoje em dia ela é meu presente,
me enche,
PREENCHE,
trans-bor-da,
mantendo-me no nível certo para fazer com que eu seja
equilibrado.
E na minha forma de ver:
anômalo aos seres fiéis as normas implantadas.
Hoje a poesia me chama pelo nome.