segunda-feira, 2 de agosto de 2010


 
Lembranças são pedaços de sonhos soltos pela rua.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Os dias andam cada dia mais sem planejamento, afirmava renata no telefone.
Júlia, do outro lado da linha, dizia: percebi que existe vida justamente nestas horas do não fingimento. 
(despedem-se uma da outra dizendo: beijo no ombro. Frase que as divertem e sela entre elas um pacto quase adolescente, mesmo elas estando já no auge dos seus 26 anos).

Passaram anos e mais anos e elas, tão amigas e cúmplices, não se vêem mais. No maior das boas intenções e das saudades conversam no msn, deixando de lado as horas e mais horas que passavam ao telefone. 

A vida esconde por entrelinhas o somente das coisas e das pessoas. 
Salvador, 11 de maio de 2010

O silêncio da noite é fascinante. Escutava-se lá, ao fundo, o latido de um cachorro. Por vezes, passava um carro na avenida e o som do pneu no asfalto, o som da velocidade invadia a casa.
Tudo é tão tênue e singelo.
Tudo parece estar num ponto de ebulição, na beira de um caos.

À noite, os axiomas do mundo saem e se fazem presentes.
Beirar-se na vida é como andar por ruas noturnas e desertas ou simplesmente escutar o som da respiração da pessoa que dorme ao seu lado. É nestas nuances que a fugacidade da vida toma formas de sonhos e consome os seres, que mesmo dormindo, vivem.

Viver é por demais silencioso.
É no silêncio, é no silêncio...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Scorsece salvou minha quinta-feira

Salvador, 11 de março de 2010



O que há dentro de nós?
O filme 'Ilha do Medo' de Martin Scorsese que acabou de ser estreado nos coloca de frente com esta pergunta.
Durante grande parte - digamos 70% do filme -, Scorsese nos leva a acreditar que o personagem que Di Caprio atua é um policial federal, um detetive. Até aí, tudo normal.
Chegamos a tentar prever o que acontece nestes filmes do gênero.
Algumas formas de filmar, enquadrar. A trilha que entra em determinado momento, a fotografia que induz.
Contudo a coisa muda DESCARADAMENTE.
Nós, espectadores-detetives na esperança de algo que nos supreenda, somos levados a uma viagem interior junto com o personagem que a todo instante é pertubardo por alucinações. O grande desafio no fim é nos encarar de frente neste jogo de xadrez no qual o cheque-mate só pertence ao jogo.


A Ilha do Medo tem diversas analogias.
Uma delas ficou nitidamente gravado em minha cabeça depois que eu saí do cinema. Seja por ter assistido uma aula na manhã de quinta sobre comunicação e tecnologia, ou não, o fato é que a ilha  tem muito em comum com o mundo contemporâneo, vulgo mundo-virtual, atualmente.
Esta virtualidade tem como necessidade a formação e construção de um novo eu que não mais vive num lugar denominado sociedade, e sim, numa rede social.
As grandes questões se reduzem a estas duas perguntas que se seguem:
Que monstros podemos construir?
Que monstros habitam dentro de nós?
[...]


Uma coisa eu tenho certeza: todos temos ilhas nas quais servem como válvula de escape.
Sejamos monstros ou não, todos tentamos adestrar os nossos medos.


Confiram o trailler:

quarta-feira, 10 de março de 2010

Jequié, 04 de março de 2010

Acabo de escutar um tremendo trovão. Minha tia Lourdes e minha mãe estão sentadas na sala. Todas duas em silêncio, tomando café que acabou de ser coado.
As folhas das árvores do quintal fazem bastante zuada com o vento forte e trazem um clima de temporal por vir.
Aqui na caatinga quando chove tem-se suas manias e ditados: "não pode ficar sem camisa quando está trovejando, menino!", "Desligue a TV por causa dos raios", "não ande descalço", "não pegue em metais", "coloque toalhas nos espelhos". Fui criado assim, com todas estas afirmações-preocupações.
Quando começava a chover sempre era a hora da correria. Cada um tinha a sua função , tudo como forma de precaução devido as goteiras no telhado que o vento junto com a chuva causava.  Ficávamos todos no banheiro (único lugar da casa que tinha laje) na esperança que a chuva se acalmasse.
Minha mãe ficava a rezar 'Salve Rainha' e sempre respeitávamos toda aquela fé na qual ela se apegava.
E não era que a chuva realmente passava?
A vida esconde estes mistérios difícieis de serem explicados.

Quando estávamos no banheiro sempre ficava imaginando coisas: como seria se a casa toda tivesse caído quando abríssemos a porta do banheiro?
Numa dessas chuvas torrenciais o muro do quintal caiu, o cachorro escapuliu e minha bicicleta ficou embaixo dos tijolos. Experimentei o sabor de uma perda.
As chuvas sempre foram responsáveis por fazer com que todos estivessem unidos num mesmo ideal: proteger-se.
O caos sempre leva a reflexão, de uma forma ou de outra.
Por isso sempre gostei de dias chuvosos com ventos e ameaças de tempestades.



terça-feira, 9 de março de 2010

Jequié, 02 de março de 2010


Estou em Jequié e já era pra ter ido embora. Contudo, tenho comigo uma sensação de querer estar, de ainda permanecer, de ter o que fazer ainda por aqui.
Já assisti 'Cinema, aspirinas e urubus' de Marcelo Gomes. Devo resaltar que este filme é uma ótima representação dos filmes nacionais. O roteiro, a fotografia, os atores. Tudo merece crédito. 
O destino, algo tão buscado pelos personagens que seguem viagem e no qual me faço passageiro e carona como espectador, demonstra e me toca de uma forma intensa.
Venho estado constantemente viajando atrás do meu destino. Um destino que pode mudar a qualquer momento.
Hoje assisti 'Coração Selvagem' de David Lynch. Nicolas Cage no personagem Sailor veste na grande maioria do filme sua jaqueta de pele de cobra acreditando e vendo naquilo um signo de sua liberdade pessoal. Ele, dono de um coração selvagem. (não tem como não me identificar também com isso).
Ainda passei por 'As pontes de Madison' de Clint Eastwood e o documentário 'Edifício Master' de Eduardo Coutinho. Reassisti 'Wall-e', animação da Disney com minhas sobrinhas Nicole e Andressa e de novo chorei, agora no colo de Andressa que também estava aos prantos. 
Todos estes momentos são únicos. E cada dia que retorno, elas estão maiores.
O tempo passa e não acompanho o crescimento delas. No fim tenho realmente certeza que 'a vida é uma ilusão', frase que tenho certeza de ter escutado no filme 'O poderoso Chefão'.
Minha mãe está cada dia mais carente e percebo-me impotente neste 'problema'. 
Estou num processo de vôo constante. Experimentando a sensação de ser livre, de estar vo.ando.
Sigo com a certeza de que as coisas por aqui já não são mais as mesmas.
Contanto, ainda sei ser feliz em Jequié.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sim, eu mudei. Mas alguma coisa ainda continua a mesma aqui dentro.
Hoje saboreio o gosto da liberdade, o sabor do vento e de suas sutilezas.
Enxergo os pesos e os preços que se paga. Estou forte e tenho medo.
Preciso sempre do caos, de mexer-se por dentro e reencontrar-se constantemente.
Sofro de perdas, e elas são inevitáveis.
Levo comigo as minhas certezas e os meus dias felizes.
Tenho comigo o verão e o inverno, e estes climas contrários me causa inquietude e incompreensão.
Sou como o tempo, que se esvai e retorna em questão de segundos sem ao menos ser perceptível.
Tenho as minúcias das entrelinhas da vida aqui, como tatuagem.


Nasci da Aurora e hoje sou noite.
Vejo vida e resolvo minhas questões como pequenas penitências.
Sim, eu mudei. Mas alguma coisa continua ainda a mesma.
Sempre fui vizinho de oficinas. E minha casa sempre esteve em frente a avenidas movimentadas. Sempre fui só.
O silêncio me consome. Gosto dos barulhos e das vozes. E gosto de esconder-me dentro de lugares que parecem inabitáveis. É lá que me re-faço, me re-vejo.


Descobri como segurar o tempo e partes do espaço.
Hoje vivo de mortificar onde enxergo beleza. Entrego aquilo como algo belo aos seres.
Sou movido pelo amor.
E neste caminho existe a paixão, dona do prazer constante.
Sim, eu mudei. Mas alguma coisa ainda continua.
Sou ser sem nome.
Brinco de vestir personagens e fazer da vida uma grande comédia na qual somente eu assisto como espectador.


Sim, eu continuo o mesmo.