quarta-feira, 2 de março de 2011

Até no dia que as palavras
se vão
é necessário escrever.

terça-feira, 1 de março de 2011

Como eu consigo matar a arte?

Eu descobri com o tempo que eu poderia desenvolver esse meu desejo de fazer arte de outra forma, diferentemente da forma que eu fui forçado a esquecer, aquela do período da minha infância, quando eu utilizava lápis, pincel, tintas e tela e minha mãe profetizava: “menino, pintor só ganha dinheiro e é reconhecido quando morri”.
Foi assim, que com o tempo eu fui perdendo as esperanças e descobrindo que a leveza é uma ilusão criada através da construção do discurso. Dessa forma, larguei a pintura.
No meio do meu sonho conquistado encontrei-me com o mundo das imagens, dos retratos intimistas, dessa fotografia que guarda os meus momentos e os relatam, transformando-os de privados a públicos.  
As imagens, meu sentimento sobre o mundo e como eu reagia ao cotidiano se tornaram o meu alimento. É justamente disso que surgi essas indagações: como eu vou conseguir viver novamente com essas noites mal dormidas, essa angústia dentro do peito, essa sensação de inércia constante, esse desejo de tentar encontrar a melhor solução para colocar tudo pra fora de forma compreensível e conceitual? como?

Meu desejo é matar a arte para conseguir viver nesse mundo  inerte e cotidianamente burocrático. 
Ser artista não é coisa mais da minha época.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tem dias que a vida pesa que nem barriga de aluguel. E são nesses dias que as coisas parecem girar em torno de si, demonstrando o quanto elas são muito mais fortes e constantes do que você.
E aquela cárie, que há séculos foi esquecida e resolvida, primeiramente com uma obturação, depois com um canal, retorna com o incômodo. E no meio de todo vazio, de toda tristeza que você tenta esconder por entre os tapetes da sala, em meio a tudo isso e ao silêncio, a dor está lá, viva, remexendo pedaços de fraquezas.

***

Na realidade é sempre você sozinho, nunca se esqueça, meu caro. É você e os punhados de sonhos que te fazem levantar e crer que a vida é muito mais do que a realidade.
O x da questão está justamente nessas palavras: realidade, peso, sozinho, contas a pagar, burocracias e sonhos.
No final o que lhe sobra é um dia após o outro na tentativa constante de fazer-lhe acreditar em esperanças bordadas com ilusórias levezas e felicidades observadas por alguém pelas frestas de uma porta qualquer.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um dia sonhei que tinha sombras na minha frente, reflexo de algo que me perseguia.
Voltando do trabalho constatei que eram sombras de pessoas.
Nesse dia, não eram mais as pessoas do ônibus que me olhavam, era eu que olhava para cada uma. Para cada parte de mim que estava a me julgar, me colocar contra a parede, mostrando-me que de fato existe a realidade. E que ela está ali. Logo ali.
Nesse dia, o ponto de ônibus foi meu conforto. Minha caneta e mão se tornaram uma máquina fotográfica a fotografar as palavras-imagem que não voltariam mais a se organizar dessa forma no papel que carrego constantemente comigo: o meu corpo humano.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Com o tempo venho querendo voltar a ser aquele alex de antes e saber lhe dá com o alex que me tornei.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Até onde o processo de conhecimento gera entendimento? A fase primária, por vezes, é difícil de ser compreendida? Ou nesta fase primária, por estar envolto de conflitos internos pelo momento de formação enquanto indivíduo (nessa constante passagem para a vida adulta) acaba gerando essa necessidade de dialogar, sendo que muitas destas, somente você fala, onde o outro passa a ser ouvido, passa a ter um tom de quase uma "análise", funcionando assim, de imediato, pelo menos pra você.
Porque, é destes momentos (que acabam sendo vários, até os mais cotidianos) você está sempre num processo de interiorização, numa reflexão constante sobre o lugar que realmente você ocupa. Voltando sempre ao questionamento: qual é o sentido? Como encontrar e identificar as amarras com a realidade? Como encontrar os termos, construir o vocabulário, falar com propriedade de si mesmo, sem ser pretensioso e arrogante? Como responder perguntas sem que essas perguntas ainda existam? Como funciona a questão sobre descobrir que a pergunta já existe dentro de você depois que você encontra a resposta? A preocupação nasce da não-ocupação?
Até onde o outro está disponível para um diálogo-análise? Até onde existe a linha tênue que separa o outro, você e o diálogo? Como esse processo pode acontecer sem ser agressor?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sobre as coincidências

A lua, que outrora funcionava como meu depósito de energia (ainda mais depois de um dia exaustivo de trabalho como vendedor de uma loja de roupas), que fazia o meu sonho ser de forma circular, concreto e iluminado, agora faz visitas na janela do meu quarto de forjar mundos virtuais e sonhos na parede.
O sol, namorado a distância da lua, que sempre banhou a minha rotina de andar veloz com bicicleta pelas ruas pouco movimentadas de trânsito e bem cheias de motocicletas, agora é essência básica dos instantes roubados.
Hoje, esquecendo-me de ver a lua - ou não tendo mais tempo para isso – utilizo o sol como tintas numa tela, a criar volumes em poesias-sonho de histórias-registro de uma fase de descoberta.
A lua, esquecida, faz visita na sala noturna que sem lâmpada acesa passa a ser preenchida pela luz que entra na janela e cria sombras.
A lua, que antes era energia do sonho, passa a ser elemento básico da constatação do sonho realizado e re-adaptado.
A cidade-sol agora está nos meus olhos, no fotômetro da minha máquina, nos sais de prata que são sensibilizados, no sonhador que captura poesias em imagens do cotidiano banhado de um passado, passarinho da infância.